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"Sangue de Inocentes" - Elio Eugenio Müller

 

 

PALAVRAS AO LEITOR

 

 

No primeiro volume, em “De Pés e a Ferros”, na Palavra ao Leitor, registrei a motivação que encontrei para a produção desta seqüência literária.

 

Volto a explicar que semelhante aos diálogos que então tive com a figueira, assim são também os diálogos dos personagens que surgem em Sangue de Inocentes, sempre elaborados a partir do espírito criativo do autor. O objetivo é o de conceder mais vida para as narrativas. Porém o fundo de toda a obra é baseado em fatos reais da história e com personagens verdadeiros, de gente que construiu a Colônia Alemã de Três Forquilhas.

 

Foram quase quarenta anos de pesquisas, no envolvimento contínuo com a vida destes personagens. Fui desvendando a alma deste povo. Fui me familiarizando com o sentimento deles e com o modo de pensar e crer, independente do sobrenome que levavam.

 

Hoje vemos descendentes destes imigrantes que carregam em seu sangue uma herança genética de dez, doze ou mais genearcas da Colônia. Tomo por exemplo a minha esposa Doris, e isso, em conseqüência, vale para os nossos filhos Carlos Augusto e Cristiane e para os nossos netos Arthur, Lucas, Amanda, Stephanie e Vincenzo. A avó paterna de Doris foi a Guilhermina Mittmann que casara com Carlos Luis Bobsin. A avó materna foi a Maria Justo que casara com Adolfo Voges. Assim sendo, Doris, bem como os nossos filhos e netos, carregam no sangue a carga genética dos Bobsin, Mittmann, Voges e Justo, além dos Schmitt, Jacoby, Brehm, Justin, Marlow, Diefenthaeler, Knewitz, Helbig ou Helwig, Wetter, Diehl, Eigenbrodt e Vollbrecht.

 

Voltando a enfocar a figueira que fala, ela permanece atenta ao que se passa... Ela se eleva altaneira no meu Sítio, em Itati – RS.

 

Encontro pessoas que não acreditam que ela saiba se comunicar. No entanto ela tem falado comigo. E confesso que as lições recebidas são de grande valor.

 

Um dos últimos ensinamentos que ela me concedeu foi a respeito de solidariedade e acolhimento. Ela me mostrou de modo muito claro que cada qual, de nós, se tiver disposição, pode dar muito de si mesmo em favor dos outros. É isto que desejo também fazer.

 

Por isto passei a produzir as “Memórias da Figueira”, para transmitir às novas gerações, as lições que esta árvore vem me transmitindo.

 

Convido o leitor sugerindo que passe, pelo menos, algumas horas com a figueira, no meu “Sítio da Figueira” em Itati. Com certeza sairá com uma convicção firmada: - O que escrevi sobre a figueira que se comunica com as pessoas, é a mais pura realidade.

 

Certamente, no contato com a figueira, haverão de constatar. Ela concede abrigo. Ela estende sua proteção para todos que a procuram. Os leitores haverão de se encantar com a sombra acolhedora que ela proporciona, para todos que a buscam.

 

De modo semelhante ao da figueira, almejo que as páginas desta Coleção das Memórias da Figueira também sejam portadoras de aconchego. Que as páginas deste 2º volume, Sangue de Inocentes, permitam aos leitores, um envolvimento pleno com as palavras dos personagens. Que os leitores possam, neste contato com a fala dos antigos, renovar o espírito e a vontade de viver e de lutar, por uma boa causa.

 

Em 2009 faz 170 anos que o vale do rio Três Forquilhas sentiu o efeito direto do embate entre caramurus e farrapos, dando origem ao episódio de Sangue de Inocentes e que serve de pano de fundo para esta obra literária.

 

Em minhas pesquisas procurei conhecer melhor cada personagem.

 

Conhecer não só o nome, mas saber um pouco mais da história pessoal e coletiva deles.

 

Procurei diagnosticar a realidade social, na qual eles viviam e vivem. Na conversa, junto às “Fontes da História Oral”, é que me foi possibilitada a identificação do contexto sócio-histórico e cultural.

 

Persegui a necessidade de uma maior compreensão das relações institucionais ali existentes, das relações de grupos e das relações comunitárias.

 

Observei a situação desta população do vale do rio Três Forquilhas, desde os primórdios da colonização, desde 1826.

 

E, finalmente, declaro ser o herdeiro espiritual de pastor Carlos Leopoldo Voges, ou como costumava me dizer a bisneta dele, Othilia Voges Bobsin: - “Du bist unser geistlicher Guardian” (Tu és o guardião espiritual do povo deste vale).

 

Nesta condição tão particular recebi a missão de compartilhar com todos um pouco do muito saber que me foi dado, nestes quase quarenta anos de pesquisas.

Desejo a todos uma boa leitura, ou “leitorem salutem” conforme diziam os latinos.

 

 

 

ITATI (RS), 20 de setembro de 2009.

 

Elio Eugenio Müller

Membro da Academia Virtual Brasileira de Letras – AVBL

 

Autor:  Elio Eugenio Müller

130 páginas - 15 X 21 cm - Editora AVBL

 

ISBN 978-85-98219-50-9

 

R$ 25,00  

 

  

 

 

 

 

 

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