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"De Pés e a Ferros" - Elio Eugenio Müller

 

PALAVRA AO LEITOR

 

 

Para início de conversa quero explicar aos leitores o sentido do termo “De pés e a ferros”. O termo era usado em épocas antigas, para denominar dois tipos de partos difíceis. Havia o parto somente “a ferros”, quando realizado mediante o uso de instrumento de metal (por exemplo, o uso de duas colheres de ferro ou fórceps), para extrair o bebê do útero materno. Havia também o parto “de pés”, ou parto pélvico, quando a posição do bebê era ao contrário, sentado no útero, e nascia pelos pés e, às vezes, também com a ajuda de ferros.

 

“De pés e a ferros” não foram apenas alguns partos difíceis, ocorridos nos primórdios da colonização alemã da região de Torres, no Litoral Norte, da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

 

 “De pés e a ferros” foi, no meu entender, o nascer da Colônia Alemã de Três Forquilhas.

   

 “De pés e a ferros” foi também este trabalho de pesquisa, que já vem completando quarenta anos, que permitiu a elaboração desta obra que denomino de “MEMÓRIAS DA FIGUEIRA”, desenvolvido em meu reduto e refúgio do “Sítio da Figueira”, em Itati/RS.

 

Para a viagem literária, pelas “MEMÓRIAS DA FIGUEIRA”, no propósito de enfocar aspectos da história do povo onde resido, confesso: - Recebi uma forte influência do grande escritor Carlos Drummond de Andrade. Ele me proporcionou um mundo novo e uma descoberta que transformou o meu universo literário e, por que não dizer, invadiu até o meu mundo real.

 

Observem que Drummond (1981) registra, na minha compreensão, um toque de ficção espetacular em “Contos Plausíveis”:

 

“Não é mistério para os entendidos que há uma linguagem das plantas, ou, para ser mais exato, que a cada planta corresponde uma linguagem. Como a variedade de plantas é infinita, faz-se impossível ao entendimento, por muito atilado que seja, captar todas as vozes de vegetais. E só os mais perspicazes entre os humanos conseguem entender a conversa entre duas plantas de espécies diferentes: cada uma usa o seu vocabulário, como por exemplo, num diálogo em que A falasse em espanhol e B respondesse em alemão”.

 

Além de Drummond veio à minha mente o também grande escritor Monteiro Lobato. Ele criou um sabugo falante – Visconde de Sabugosa -, e uma inteligente boneca – Emilia -, perspicaz e não menos falante, dentre outros personagens do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”.

 

A partir destas influências recebidas, o “Sítio da Figueira”, que a minha esposa herdou em 1970, no atual município de Itati, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, foi transformado num espaço criativo. Um espaço que passou a envolver meus planos e minhas propostas, de ação pedagógica e cultural, direcionados para a população local.

 

Fiquei encantado com antiga figueira que ali vive há muito mais do que uma centena de anos. Em torno desta figueira começaram a surgir, para mim, personagens reais e fictícios, do mundo natural, de fauna e flora.

Observei, por exemplo, duas corujas que ali haviam estabelecido habitação. Além do ninho, elas encontraram nessa árvore alimento, que consistia na caça a morcegos que à noite ali circulavam, além dos figuinhos, que amadureciam no outono.

     

Surgiu a idéia de criar a “Confraria Coruja da Figueira”, um movimento voltado para uma ação ampla em defesa do meio ambiente. Este movimento foi coroado de sucesso. Hoje, pode ser encontrado até no mundo virtual, em página da Internet http://confrariacoruja.ning.com.

 

A figueira passou a ter um significado ainda mais abrangente, para mim, e para o meu universo literário e criativo.

 

Memórias da Figueira é, portanto, a narrativa de histórias antigas da Colônia Alemã de Três Forquilhas que tiveram como testemunha silenciosa, a mais que centenária figueira, que ainda hoje se eleva altaneira, em meu Sítio, no município de Itati (RS). Contam os antigos que naquele local, uma vez, existiram três figueiras. Esta, que hoje ali vemos, pode ser uma das três que tenha sobrevivido, ou então, talvez seja a filha de uma delas.

 

Nas Memórias da Figueira, neste seu primeiro volume, sob o título “De pés e a ferros” quero falar sobre o nascimento complicado e difícil desta colonização de Torres.

 

Não fosse a teimosia do Comandante Philipp Peter Schmitt, não fosse a visão clarividente do Coronel, do Exército Imperial, Francisco de Paula Soares Gusmão, não fosse o dinamismo do pastor Carl Leopold Voges e o heroísmo de todos os colonos pioneiros que acreditaram na idéia, esta Colônia não teria nascido.

 

Através das páginas deste primeiro volume, de uma série, quero homenagear os colonos pioneiros. Estas páginas foram escritas sob a forma de uma narrativa romanceada, apresentada mediante diálogos fictícios, criados a partir da imaginação do autor, porém sempre tendo por pano de fundo a história ocorrida nesta região, a partir do ano de 1826.

 

Quero conceder realce para a tocante epopéia destas famílias e, ao mesmo tempo, lembrar o agora já 180º aniversário de surgimento desta Colônia.

 

Desejo a todos, leitura prazerosa, com o voto latino: Lectori salutem! (ao leitor, bom proveito!).

 

 

ITATI (RS), 03 de junho de 2007

 

 

ELIO EUGENIO MÜLLER

Membro da Academia de Letras dos

Municípios do Rio Grande do Sul

– ALMURS –

Autor:  Elio Eugenio Müller

150 páginas - 15 X 21 cm - Editora AVBL

 

ISBN 978-85-98219-49-3

 

R$ 25,00  

 

 

 

 

 

 

 

 

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